Marisa Serrano*
Refletir sobre Campo Grande deve ser uma tarefa permanente por parte daqueles que amam a cidade. Recentemente, esteve em nossa Capital o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para proferir palestra para engenheiros e urbanistas locais sobre o projeto “Cidade Limpa”. O encontro ocorreu na sede do Crea/MS e, a meu ver, revestiu-se de importância histórica porque o gestor de uma das maiores cidades do planeta nos sugeriu uma série de medidas que, se adotadas desde já, poderá ser fundamental para evitar que os campo-grandenses sejam pegos de surpresa no futuro, assim como vem ocorrendo com milhares de paulistanos quando enfrentam problemas de trânsito, poluição, favelamento e distorções urbanas em geral.
O prefeito Gilberto Kassab nos deu várias dicas importantes: primeiro, nos aconselhou a reservar áreas públicas para construção de parques e praças de lazer e esporte; segundo, sugeriu que criemos mecanismos para preservar pontos centrais da cidade, evitando que haja degrad ação irreversível do espaço urbano que deu origem à cidade; e, terceiro, recomendou que se organizasse um sistema de transparência das contas públicas para que a comunidade possa acompanhar de perto o modelo de gestão da prefeitura.
Acredito que estes três pontos seriam suficientes para manter o padrão de qualidade de vida do campo-grandense e, mais do que isso, estabelecer referenciais de avanço de nossa agenda administrativa. Em escala crescente, temos que nos preocupar com a questão ambiental em seus amplos aspectos. Mais áreas verdes e mais proteção dos mananciais a guíferos garantirão, com certeza, uma base de desenvolvimento humano extremamente qualificada para as gerações futuras.
Além disso, temos que repensar os padrões urbanísticos das regiões centrais de Campo Grande. O centro deve voltar a ser o ponto de convergência da cidadania com a cidade. Caso contrário, teremos que conviver cada vez mais com uma urbanização fragmentada, cuja força dissipadora faz com que o campo-grandense não tenha uma identidade cultural que o represente em sua diversidade, beleza e complexidade.
Há inúmeros exemplos de cidades com boa qualidade de vida, mas, por causa da ausência de forças integradoras, faz com que elas sejam “frias”, monótonas, sem uma vitalidade motivadora. De pouco adianta termos um excelente padrão de serviços, uma estrutura viária bem planejada, mas se, na visão de nossos moradores, formos uma cidade triste, parecendo ilhas isoladas que não se intercomunicam.
Imagino que a Campo Grande do futuro deva ser uma mistura da valorização de seu passado com a idéia de permanente atualização de seus espaços do presente. Sabemos que não é fácil construir no dia a dia uma cidade ideal. Mas mantendo uma boa estrutura de educação, saúde e lazer, evitando perder o foco naquilo que concerne às diretrizes racionais do plano diretor, acredito ser possível ir em frente sem grandes problemas. Claro que imprevistos podem ocorrer, embora tenhamos referências e exemplos ( a contribuição do prefeito Kassab, neste aspecto, foi valiosa) que podem nos ajudar a errar menos.
Por fim, outro ponto fundamental que devemos debater com maior intensidade em Campo Grande deve ser o estabelecimento de políticas de transparência e responsabilidade. Devemos introduzir com mais ênfase a questão da “accountability” em nossa administração. O uso da internet deve dimensionada para oferecer aos cidadãos informações detalhadas sobre a movimentação administrativa da cidade, quer seja nas relações contábeis entre receita e despesa, licitações públicas, gastos correntes, transferências de recursos, convênios e parcerias, salários dos servidores, enfim, tudo aquilo que é relevante para que o cidadão saiba detalhadamente como está sendo gasto o dinheiro de seu imposto.
Af irmar que amamos Campo Grande simplesmente não basta. Devemos assumir concretamente a responsabilidade com o seu dia a dia em todos os aspectos. Cada morador deve ser um fiscal de seu bairro, começando pela sua rua, pelo seu condomínio, pelo seu local de trabalho. Os vínculos com a cidade devem ser integrais. Caso contrário, mesmo comemorando com júbilo e alegria seu aniversário, ficará sempre a sensação de que está faltando alguma coisa para a cidade ser melhor do que é.
· Senadora da República e Vice-Presidente do PSDB nacional
Refletir sobre Campo Grande deve ser uma tarefa permanente por parte daqueles que amam a cidade. Recentemente, esteve em nossa Capital o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para proferir palestra para engenheiros e urbanistas locais sobre o projeto “Cidade Limpa”. O encontro ocorreu na sede do Crea/MS e, a meu ver, revestiu-se de importância histórica porque o gestor de uma das maiores cidades do planeta nos sugeriu uma série de medidas que, se adotadas desde já, poderá ser fundamental para evitar que os campo-grandenses sejam pegos de surpresa no futuro, assim como vem ocorrendo com milhares de paulistanos quando enfrentam problemas de trânsito, poluição, favelamento e distorções urbanas em geral.
O prefeito Gilberto Kassab nos deu várias dicas importantes: primeiro, nos aconselhou a reservar áreas públicas para construção de parques e praças de lazer e esporte; segundo, sugeriu que criemos mecanismos para preservar pontos centrais da cidade, evitando que haja degrad ação irreversível do espaço urbano que deu origem à cidade; e, terceiro, recomendou que se organizasse um sistema de transparência das contas públicas para que a comunidade possa acompanhar de perto o modelo de gestão da prefeitura.
Acredito que estes três pontos seriam suficientes para manter o padrão de qualidade de vida do campo-grandense e, mais do que isso, estabelecer referenciais de avanço de nossa agenda administrativa. Em escala crescente, temos que nos preocupar com a questão ambiental em seus amplos aspectos. Mais áreas verdes e mais proteção dos mananciais a guíferos garantirão, com certeza, uma base de desenvolvimento humano extremamente qualificada para as gerações futuras.
Além disso, temos que repensar os padrões urbanísticos das regiões centrais de Campo Grande. O centro deve voltar a ser o ponto de convergência da cidadania com a cidade. Caso contrário, teremos que conviver cada vez mais com uma urbanização fragmentada, cuja força dissipadora faz com que o campo-grandense não tenha uma identidade cultural que o represente em sua diversidade, beleza e complexidade.
Há inúmeros exemplos de cidades com boa qualidade de vida, mas, por causa da ausência de forças integradoras, faz com que elas sejam “frias”, monótonas, sem uma vitalidade motivadora. De pouco adianta termos um excelente padrão de serviços, uma estrutura viária bem planejada, mas se, na visão de nossos moradores, formos uma cidade triste, parecendo ilhas isoladas que não se intercomunicam.
Imagino que a Campo Grande do futuro deva ser uma mistura da valorização de seu passado com a idéia de permanente atualização de seus espaços do presente. Sabemos que não é fácil construir no dia a dia uma cidade ideal. Mas mantendo uma boa estrutura de educação, saúde e lazer, evitando perder o foco naquilo que concerne às diretrizes racionais do plano diretor, acredito ser possível ir em frente sem grandes problemas. Claro que imprevistos podem ocorrer, embora tenhamos referências e exemplos ( a contribuição do prefeito Kassab, neste aspecto, foi valiosa) que podem nos ajudar a errar menos.
Por fim, outro ponto fundamental que devemos debater com maior intensidade em Campo Grande deve ser o estabelecimento de políticas de transparência e responsabilidade. Devemos introduzir com mais ênfase a questão da “accountability” em nossa administração. O uso da internet deve dimensionada para oferecer aos cidadãos informações detalhadas sobre a movimentação administrativa da cidade, quer seja nas relações contábeis entre receita e despesa, licitações públicas, gastos correntes, transferências de recursos, convênios e parcerias, salários dos servidores, enfim, tudo aquilo que é relevante para que o cidadão saiba detalhadamente como está sendo gasto o dinheiro de seu imposto.
Af irmar que amamos Campo Grande simplesmente não basta. Devemos assumir concretamente a responsabilidade com o seu dia a dia em todos os aspectos. Cada morador deve ser um fiscal de seu bairro, começando pela sua rua, pelo seu condomínio, pelo seu local de trabalho. Os vínculos com a cidade devem ser integrais. Caso contrário, mesmo comemorando com júbilo e alegria seu aniversário, ficará sempre a sensação de que está faltando alguma coisa para a cidade ser melhor do que é.
· Senadora da República e Vice-Presidente do PSDB nacional
Nenhum comentário:
Postar um comentário