
‘Duplicação da BR-163 sairá logo que assumirmos’
1-)Qual a sua visão sobre o Mato Grosso do Sul olhando o mapa federativo brasileiro?
A criação de Mato Grosso do Sul no final da década de 70 mostrou ser uma experiência exitosa de redivisão territorial do País. O Estado tornou-se referência mundial de produção de soja, carne, milho, sem falar do turismo e de políticas ambientalmente sustentáveis. É um estado estratégico para o desenvolvimento da economia brasileira, com imensas riquezas e um povo empreendedor que acredita no valor do trabalho e da produção.
2-)O Mato Grosso do Sul faz divisa com dois países (Paraguai e Bolívia) conhecidos por problemas ligados ao tráfico de drogas e contrabando. Quais são as ações que o senhor pretende desenvolver para reduzir os índices de criminalidade nas regiões de fronteira?
Vou criar o Ministério da Segurança para dotar o Estado Brasileiro de mecanismos eficazes que alterem a lógica do combate à criminalidade. Uma das ações que merecerá prioridade em meu governo será o combate sistemático do crime nas regiões de fronteira, hoje permeáveis ao tráfico de drogas, armas e ao contrabando. Atuando fortemente nessas áreas poderemos cortar um dos principais tentáculos do crime organizado. Temos que fazer da extensa faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul uma área atrativa para desenvolvimento industrial. Pretendo com isso incrementar as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportações), já aprovadas no Congresso Nacional, para fortalecer e diversificar a economia nessas regiões.
3-)A região da fronteira de Mato Grosso do Sul vive há muitos anos uma fase estagnação econômica, sem políticas de incentivos para que se transforme e gere por si mesma condições de enfrentamento de seus problemas sócio-econômicos. Como o senhor avalia essa situação?
Essas regiões de fronteira merecem tratamento especial porque são espaços de integração entre nações com economias e culturas diferentes. Há projetos elaborados que criam o Estatuto do Cidadão de Fronteira, um instrumento dotará as famílias fronteiriças de incentivos para que possam se desenvolver longe da criminalidade. Temos que trabalhar para que a extrema informalidade não seja a tônica da vida nestas regiões. O assunto é complexo e deve necessariamente ter tratamento diferenciado.
4-)A questão energética é deficitária e uma antiga reivindicação do estado. O que poderia ser feito para resolver esse gargalo?
Sabemos que há fragilidades no sistema que precisa de novas linhas de transmissão que comportem as demandas atuais. Corumbá é um exemplo. Construiremos uma linha entre Campo Grande e Ribeirãozinho (MT) e outra de Campo Grande até Corumbá, orçadas em R$ 562 milhões.
5-)O senhor afirmou numa de suas visitas ao Mato Grosso do Sul que pretende duplicar a BR 163. Se o senhor for eleito em quanto tempo o senhor pretende viabilizar esta obra?
Considero a duplicação da BR 163 – também chamada “rodovia da morte” - fundamental para o desenvolvimento não só do Mato Grosso do Sul e do centro-oeste brasileiro como de todo o País. São mais de 30 mil veículos que circulam nessa via diariamente e seu traçado está obsoleto, vem da década de 1950. Acho um absurdo que o custo de transporte da produção agropecuária de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seja superior aos custos de transporte destes produtos até a China, por exemplo. A duplicação da BR 163 será iniciada tão logo comecemos nosso Governo porque o Brasil tem pressa para crescer. Construirei as terceiras faixas, além de sua duplicação, uma necessidade antiga que deve custar em torno de R$ 1 bilhão. Quando visitei o estado este ano, ressaltei que minha declaração não era de promessa e sim um anúncio de compromisso com os mato-grossenses porque essas obras são fundamentais para preservar vidas e para acelerar o escoamento de riquezas em direção aos portos brasileiros.
6-)Quais outras obras o senhor considera importantes que sejam desenvolvidas em Mato Grosso do Sul?
O MS é hoje uma das mais vigorosas fronteiras de expansão da cultura de cana-de-açúcar no país, com 21 usinas instaladas e cinco a caminho. O parque sul-mato-grossense caminha para se tornar o segundo maior polo alcooleiro brasileiro, com potencial de produção de etanol 46 vezes maior que a verificada atualmente. Precisamos investir na construção de um poliduto para transporte de etanol, óleo diesel e gasolina a partir de Campo Grande. Os dutos iriam até a refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), na região metropolitana de Curitiba, e o porto de Paranaguá. Também haveria conexão até Cuiabá e a hidrovia Tietê-Paraná. A construção dos dutos para levar etanol e biodiesel produzidos no Centro-Oeste e Norte do país tornaria muito mais barata a bioenergia da região. Em sentido oposto, os custos dos derivados de petróleo, dos quais depende a agropecuária, seriam reduzidos.O aeroporto terá atenção especial, pois foi esquecido pela gestão do PT. Sabemos que desde 2004, o número de passageiros dobrou e o setor cargueiro também cresceu. É preciso construir um novo terminal de cargas e ampliar a pista existente, o terminal de passageiros e o estacionamento. Já temos estimativas de custos: cerca de R$ 187 milhões. O alcooduto será outra prioridade, além da melhoria dos setores viários e ferroviário. Alguns ramais ferroviários são emergenciais, como o prolongamento Sul da Ferrovia Norte-Sul, ligando Porto Murtinho (MS) a Panorama (SP), e o trecho Maracaju-Paraná. Não é possível que o município que é o maior produtor de grãos do estado, não tenha infraestrutura adequada para o escoamento das safras. É importante enfatizar que todas as nossas propostas levam em conta a preservação do meio ambiente, com atenção especial ao combate ao desmatamento, hoje um grande problema no estado. Ampliaremos também a empregabilidade dos jovens, que estão crescendo sem perspectivas econômicas de longo prazo. Mato Grosso do Sul precisa de apoio da União para que possa receber mais indústrias, fortalecer a agroindústria na grande Dourado, e incentivar o turismo em todo o Pantanal, uma de nossas maiores riquezas naturais. É preciso lembrar que, considerando os últimos 16 anos, foram os governos do PSDB que mais investiram na infraestrutura no estado, como na Ferronorte, no gasoduto Bolívia-Brasil, na ponte sobre o Rio Paraná e tantas outras.
7-)No primeiro turno sua campanha em Mato Grosso do Sul foi considerada tímida por muitos políticos, mesmo assim o senhor foi candidato mais votado, tendo vencido a sua principal adversária por margem superior de 3% dos votos. Qual sua explicação para este fato?
Nas eleições de 2006, nosso candidato Geraldo Alckmin venceu os dois turnos eleitorais em Mato Grosso do Sul. Eu atribuo esse reconhecimento ao trabalho que o PSDB realizou durante o Governo Fernando Henrique e a identificação da população com nossas propostas. Além disso, temos lideranças políticas no Estado que exercem um papel muito importante no cenário nacional, como a senadora Marisa Serrano, que atualmente é uma das coordenadoras de nossa campanha. E não falo apenas de obras, mas também da afirmação de valores fundamentais como a defesa da democracia, da ética e dos interesses coletivos, sem privilegiar partidos ou grupos políticos.
8-)O setor da saúde em Mato Grosso do Sul ainda enfrenta problemas sérios por causa da extrema concentração do atendimento médico-hospitalar em Campo Grande, que tem excesso de demanda dos pequenos municípios, de outros Estados e inclusive do Paraguai e Bolívia. Como o pensa em solucionar este problema?
Quando fui Ministro da Saúde estive várias vezes em Campo Grande para discutir essa questão. Sei que o governador André Puccinelli tem atuado de maneira correta para descentralizar o atendimento, criando unidades ambulatoriais em vários municípios, como na capital, em Dourado e em Corumbá.Essa iniciativa está alinhada à minha proposta de construir policlínicas em todo o País. Vou investir pesado nesta área, pois sei que esse é o grande passo que temos que dar para mudar profundamente a realidade social brasileira.
9-)Como suas propostas de ampliação do ensino técnico se encaixa na realidade de Mato Grosso do Sul?
Mato Grosso do Sul tem um grande potencial de crescimento, mas, à semelhança do que ocorre na maioria dos estados brasileiros, a falta de qualificação de mão de obra cria entraves ao crescimento. Temos que formar adequadamente os jovens para garantir emprego e renda, impulsionando o crescimento de setores vitais para o estado, como a produção de álcool e açúcar. A educação de qualidade é um instrumento que prepara a sociedade para o futuro e precisa ser vista por essa ótica. Vou priorizar a educação porque não há como pensar no amanhã sem esse compromisso.
10-)A campanha presidencial está terminando tensa e com um nível de agressividade jamais visto. Como o senhor avalia este quadro?
O PT tem uma tradição de querer jogar toda a disputa no vale-tudo, apostando no quanto pior melhor. Fico indignado com essa postura porque ela não cabe em um ambiente democrático onde valores como a tolerância devem predominar.Política não pode ser uma guerra entre inimigos, e sim um embate respeitoso de ideias e propostas. Não sou favorável a esse clima de animosidade provocado pelo PT.
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